Engenharia de produção não é sobre fábrica — é sobre fluxo.
O mesmo vocabulário que descreve uma linha de montagem descreve o ciclo do pedido: tempo de setup, gargalo, retrabalho, refugo. O software só herdou os verbos.
How a concrete factory earned its own atlas.
Este não é um manual. É o registro editorial de como o sistema foi observado, desenhado e construído — escrito para arquitetos, diretores e quem chega aqui pela primeira vez querendo entender o método antes do produto.
Um mapa para percorrer o memorial na ordem — ou saltar direto ao capítulo que interessa. Cada entrada guarda um artefato do processo.
Observation before code.
A hand-written
opening.
Sou engenheiro de produção. Meu ofício é olhar uma operação, entender onde o tempo escapa e redesenhar o fluxo antes de propor qualquer ferramenta. Quando encontrei o ciclo do pedido dessa fábrica de concreto, reconheci ali os mesmos sintomas de uma linha de montagem sem método: retrabalho, refugo, gargalos invisíveis e um cliente esperando resposta.
A plataforma que você tem em mãos é a materialização desse redesenho. Fui, ao mesmo tempo, pesquisador, arquiteto, designer, engenheiro e redator. Cada tela, cada linha de código e cada palavra passou pela minha mão — não por preciosismo, mas porque coerência é o único atalho para um produto que soa inteiro.
Este memorial é o registro público desse trabalho. Não escrevi um posfácio bonito; escrevi a documentação que eu gostaria de ter encontrado ao chegar em qualquer sistema sério.
Em três visitas à fábrica, observamos a mesma cena: o vendedor abria um catálogo em PDF de 32 páginas, fotografava o item, copiava medidas para o WhatsApp, fazia conta de cabeça e enviava por escrito uma proposta que voltava em dúvida três horas depois.
O cliente — arquiteto, mestre de obras ou dono de casa — recebia a contagem em peças, sem saber quantos metros quadrados cobria, sem ficha técnica, sem protocolo. O orçamento existia, mas era invisível para auditoria, comparação ou impressão.
“A conta eu sei fazer. O problema é provar para o cliente que a conta está certa.”
Every decision, written down.
Cada palavra na interface foi escolhida para soar familiar a quem orça e assenta concreto. O sistema não pede ao operador que aprenda informática — ele aprende a operação.
Tudo converge para uma única peça final: uma proposta limpa, com protocolo, dimensões, fotos e condições comerciais. O resto é caminho para chegar lá.
Carrinho, favoritos, comparador e cadastro vivem no dispositivo do cliente. O sistema funciona em obra com sinal instável — sincroniza quando quiser, não quando precisar.
A operação acontece em pé, com uma mão segurando o celular. Alvos de toque, barra inferior, safe-areas e tipografia fluida foram desenhadas antes do desktop.
Normas brasileiras (NBR 16537, 9781, 6136) não ficam escondidas — aparecem nos cards, na ficha técnica e na imagem do orçamento. É confiança auditável.
Tipografia editorial, grades técnicas, animações de rolagem narrativas. A plataforma evita a estética genérica de templates — tem ritmo, identidade e voz.
A engenharia foi a última etapa, não a primeira. Cada fase abaixo gerou um artefato — anotação, planilha, esboço ou protótipo — antes de virar tela.
Três visitas à fábrica acompanhando pedidos, descargas e retornos de obra.
Conversas com vendedor de balcão, motorista e cliente arquiteto sobre o ciclo do pedido.
Desenho do fluxo atual em papel: do flyer impresso ao WhatsApp pulverizado.
Estrutura de dados dos 18 produtos, com SKU, rendimento, peso e norma.
Telas estáticas validadas com a equipe comercial antes de qualquer linha de código.
Construção em ciclos curtos, com publicação a cada nova capacidade testada em obra.
Pedidos reais emitidos pelo sistema e conferidos contra a planilha antiga.
Polimento editorial, microcopy, animações de rolagem e geração de imagem do orçamento.
Em vez de listar tecnologias, registramos por que cada uma entrou — uma adaptação do formato Architectural Decision Record para leitores não técnicos.
Decisão · Roteador tipado, SSR opcional, deploy em Edge Worker.
Por quê · Páginas com peso baixo, navegação previsível e tipagem fim-a-fim. Sem dependência de plataforma proprietária.
Decisão · Carrinho, memória de cálculo e cadastro persistem no dispositivo.
Por quê · A obra não tem sinal. O cliente monta o pedido offline e envia quando reencontra rede — sem perda de trabalho.
Decisão · Renderização offscreen via html-to-image, com QR code embutido.
Por quê · WhatsApp comprime e desorganiza texto longo. Uma imagem entrega protocolo, itens e contato em um único toque.
Decisão · Cada item carrega sua memória de cálculo (área, linear, perda, mínimo de 20 peças).
Por quê · Recalcular fora do carrinho gerava divergência. Aqui o número exibido é sempre o número que será cobrado.
Decisão · Busca de endereço por CEP com preenchimento automático e validação de CPF/CNPJ.
Por quê · Orçamento sem endereço completo é orçamento que volta. A fricção do preenchimento foi reduzida a um campo.
Decisão · Barra inferior fixa com 4 ações, respeitando safe-area-inset e gestos.
Por quê · O ambiente real de uso é o celular em pé, ao lado da pilha de peças. O desktop é consequência, não premissa.
Roteamento, paleta e tipografia. Catálogo estático em grade.
Engine de rendimento por m² e linear, com margem de perda configurável.
Itens persistentes, totais ao vivo, exportação para WhatsApp.
Card PNG em alta resolução, protocolo AP-XXXXXX e QR code.
CEP, CPF/CNPJ, e-mail e medidor de completude do pedido.
BottomNav, safe-areas, alvos de toque de 44 px e feedback tátil.
Reveals com variantes, stagger nos grids e parallax sutil.
Tipografia mono, grades técnicas, vozes editoriais reescritas.
Primeira versão em uso pela equipe comercial, com pedidos reais emitidos.
Esta página — o processo, as decisões e a autoria registrados em forma editorial.
Antes de qualquer tela em código, o fluxo do pedido foi rascunhado em folha A3 e conferido com o vendedor de balcão. Só depois virou wireframe.
A referência veio das pranchas técnicas de engenharia. Sobreviveu no vocabulário da capa e nos rótulos ‘Prancha 01’, ‘Prancha 02’ ao longo do site.
O primeiro moodboard foi um envelope pardo com selos de conformidade. O ouro 871 C entrou como cor de autoridade — não como enfeite.
Um debate curto entre número sequencial e hash. Ganhou o sequencial curto — mais fácil de ditar por telefone quando o cliente liga cobrando.
Não é regra de negócio arbitrária: é o mínimo real que a fábrica embala e transporta sem prejuízo. O software só respeita a operação.
Cada tecnologia foi escolhida com uma pergunta em mente: o que ela permite que o operador faça mais rápido?
Signed by hand.
The author's signature.
Idealizei, desenhei e construí este produto do primeiro esboço à v1.1 — sozinho, por escolha metodológica. Um autor único garante coerência entre observação, decisão e implementação.
O mesmo vocabulário que descreve uma linha de montagem descreve o ciclo do pedido: tempo de setup, gargalo, retrabalho, refugo. O software só herdou os verbos.
Não bastava calcular certo. O cliente precisava fotografar, encaminhar e imprimir sem reformatar. A imagem PNG do orçamento nasceu como consequência direta desse critério.
Adiar o servidor foi decisão de engenharia de processos, não preguiça técnica. Três segundos de resposta em obra valiam mais do que qualquer painel administrativo.
Este memorial não é posfácio. É o artefato que sustenta a autoria, orienta a próxima versão e serve de convite para quem chega ao projeto pela primeira vez.
Non-negotiable, by design.
Este projeto é integralmente autoral. A tabela ao lado credita, por disciplina, quem respondeu por cada frente — do primeiro esboço à publicação deste memorial.
Cliente real · Arte Piso · Belém/PA · reapresentado como peça de portfólio,
com dados de contato do proprietário removidos.
À equipe da Arte Piso, pela paciência durante as rodadas de observação na linha de produção e pelo acesso ao histórico de pedidos. Aos primeiros clientes que aceitaram emitir orçamentos pelo sistema enquanto a planilha antiga ainda existia como rede de segurança.
ABNT NBR 16537, 9781 e 6136 para o catálogo. Inclusive Components de Heydon Pickering para acessibilidade. Refactoring UI de Adam Wathan para hierarquia tipográfica. Cadernos de campo originais para tudo o mais.
O memorial fecha o ciclo de fundação. As próximas versões saem da fundação para a operação contínua — sempre publicadas com nota de versão.
Recuperar orçamentos anteriores pelo número de WhatsApp, sem login.
Recepção dos pedidos no balcão com confirmação, separação e baixa de estoque.
Importar PDF de planta baixa e medir áreas diretamente sobre o desenho.
Versão em inglês e espanhol para construtoras com obras na fronteira norte.
Fim do Volume 01.
Concebido, escrito e assinado por Carlos Eduardo.